Atlas da Violência: cidades do centro-oeste paulista registram taxas de homicídio abaixo da média nacional
Marília entra no ranking das cidades mais seguras do Brasil, aponta pesquisa nacional O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e o Fórum Brasileiro ...
Marília entra no ranking das cidades mais seguras do Brasil, aponta pesquisa nacional O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) divulgaram na terça-feira (26) a edição dos 10 anos do Atlas da Violência 2026. O relatório, que analisa os dados consolidados de criminalidade e saúde de 2024, aponta que as principais cidades das regiões de Bauru (SP) e Marília (SP) mantêm índices de violência, que levam em consideração a taxa de homicídios por habitantes, abaixo da média nacional. 📲 Participe do canal do g1 Bauru e Marília no WhatsApp Enquanto o Brasil registrou uma taxa média de 23,4 homicídios estimados por 100 mil habitantes , o estado de São Paulo consolidou-se como o mais seguro do país, com uma taxa de 12,8. No centro-oeste paulista, Marília se destacou com o menor índice de letalidade estimada entre os municípios com mais de 100 mil habitantes. Contexto regional Marília tem menor taxa de homicídios em relação às maiores cidades do centro-oeste paulista Prefeitura de Marília/Divulgação O Atlas da Violência utiliza uma metodologia de machine learning para identificar os chamados "homicídios ocultos". 🔎 Homicídios ocultos são as mortes violentas em que os estados não conseguiram identificar as suas causas básicas – se ocorreram por conta de um acidente, de suicídio ou se foi um homicídio, por exemplo. Estes óbitos são chamados tecnicamente de Mortes Violentas por Causa Indeterminada (MVCI). Confira o balanço dos municípios da região que constam no relatório detalhado de cidades com mais de 100 mil habitantes: Marília: teve 14 homicídios registrados oficialmente e dois ocultos, totalizando 16 mortes estimadas. A cidade tem a menor taxa da região: 6,5 por 100 mil habitantes. Botucatu: registrou nove homicídios oficiais e dois ocultos (11 estimados). A taxa ficou em 7,3. Ourinhos: foram sete casos registrados e um oculto (oito estimados), fixando a taxa em 7,5. Assis: registrou cinco homicídios oficiais e três ocultos (oito estimados), com taxa de 7,6. Jaú: teve 11 casos oficiais e um oculto (12 estimados), com taxa de 8,7. Bauru: sendo o maior polo demográfico da região, registrou o maior número absoluto de ocorrências: 47 oficiais e dois ocultos, totalizando 49 mortes estimadas. A taxa da cidade ficou em 12,5. Municípios menores Os indicadores revelam que mesmo Bauru (12,5), que apresenta o maior índice local, cumpre a meta do plano nacional de redução da violência e tem índice que é metade da taxa registrada pelo país (23,4). LEIA TAMBÉM: Veja MAPA com os estados mais e menos violentos do Brasil, segundo o Atlas da Violência Homicídios ocultos mudam ranking de estados mais e menos violentos do país; compare Itatiba está entre as 10 cidades menos violentas do país; veja ranking da região Cidades como Marília (6,5) e Botucatu (7,3) aproximam-se de índices considerados baixos em escala internacional. Para os municípios da região com menos de 100 mil habitantes — como Agudos, Pirajuí, Pompéia, Tupã e Santa Cruz do Rio Pardo —, o Atlas traz um diagnóstico positivo em relação ao contexto nacional. O relatório destaca que 1.578 municípios pequenos do país não registraram nenhum homicídio (zero absoluto) ao longo de 2024, e outros 2.139 exibiram taxas inferiores a 10 por 100 mil habitantes. Segundo os autores do estudo, a alta concentração da violência em territórios específicos (onde apenas 99 municípios concentram 50% dos homicídios do país) demonstra que o interior de São Paulo é relativamente um local seguro de se viver, considerando o cenário nacional. Números nacionais Brasil registra menor número de homicídios da série histórica Ao todo, o país registrou oficialmente 42.590 homicídios em 2024. A taxa representa uma queda de 7,4% em relação ao ano anterior, e chegou ao menor patamar em 11 anos, segundo o levantamento. 🔎 O Amapá apresentou a maior taxa, com 45,7 homicídios por 100 mil habitantes. O índice é mais que o dobro da média nacional. 🔎 São Paulo teve a menor taxa, com 6,6 homicídios por 100 mil habitantes. O índice equivale a cerca de um terço da taxa nacional. 🔎 Ao todo, 18 unidades da federação tiveram taxa de homicídios acima da média do país. As maiores taxas foram registradas no Amapá, Bahia, Pernambuco, Alagoas e Ceará. Initial plugin text Um dos fatores apontados pela pesquisa para a queda é a "acomodação" da guerra do narcotráfico. "Esse processo de controle da rota gerou conflitos muito intensos e mortes, sobretudo envolvendo as duas maiores facções do Brasil, o PCC e o Comando Vermelho, além de aliados regionais no norte e no nordeste. Essa guerra foi mais intensa em 2016 e 2017. Em 2018, os homicídios começam a cair e começa também um processo de acomodação. Uma guerra que se prolonga por muito tempo, sem um resultado claro, passa a ter custos econômicos inviáveis", explica Daniel Cerqueira, técnico de planejamento e pesquisa do Ipea e coordenador do Atlas da Violência. Veja mais notícias da região no g1 Bauru e Marília VÍDEOS: assista às reportagens da região