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Após quase 60 anos, ex-alunos se reencontram com professora que marcou suas vidas no interior de SP

Após quase 60 anos, ex-alunos reencontram professora em Presidente Prudente O tempo passou, os cabelos ficaram brancos e as crianças que um dia se sentaram dian...

Após quase 60 anos, ex-alunos se reencontram com professora que marcou suas vidas no interior de SP
Após quase 60 anos, ex-alunos se reencontram com professora que marcou suas vidas no interior de SP (Foto: Reprodução)


Após quase 60 anos, ex-alunos reencontram professora em Presidente Prudente O tempo passou, os cabelos ficaram brancos e as crianças que um dia se sentaram diante da professora Maria Inês de Figueiredo Maca construíram suas próprias famílias. Mais de cinco décadas depois, porém, as lembranças da sala de aula continuam vivas. Em Presidente Prudente (SP), antigos alunos se reuniram para reencontrar a educadora, atualmente com 82 anos, e agradecer pelos ensinamentos que levaram para a vida. O encontro foi marcado por abraços, flores, presentes e emoção. 📲 Participe do canal do g1 Presidente Prudente e Região no WhatsApp Os ex-estudantes, agora com mais de 60 anos, voltaram a ficar perto de quem participou dos primeiros passos de suas trajetórias. Para eles, a homenagem foi também uma oportunidade de reconhecer o carinho recebido durante a infância. "Já todos com cabelos brancos, cada um já formou sua família, tem netos. E estamos aqui hoje para homenagear, para você ver que sempre é tempo de plantar o amor. E ela plantou esse amor e hoje ela está colhendo", afirmou a cabeleireira Célia Regina Pires. Após quase 60 anos, ex-alunos reencontram professora e celebram marcas deixadas pelo ensino em Presidente Prudente (SP) Gustavo Luz/TV TEM A empresária Marilda Rosa de Souza Sanches também destacou a importância das experiências vividas nos primeiros anos de vida e a influência que a professora teve sobre a turma. "As coisas da nossa primeira infância vão, sim, refletir na nossa vida adulta. E a dona Maria Inês tendo esse papel lá atrás na nossa vida. E passando como essa fada que a gente sentia ela. É incrível", disse. A iniciativa de reunir os antigos colegas partiu do empresário Osmar José de Souza. Para ele, a professora teve papel importante não apenas na formação escolar, mas também na construção de sua vida pessoal e profissional. "Além de Deus, o início da minha vida como homem, como cidadão e profissional foi com a professora Maria Inês", ressaltou. LEIA TAMBÉM Professora adapta aulas para crianças internadas em hospital do interior de SP: 'Muito além de ensinar' Com perda auditiva, professor de Sorocaba adapta aulas e estuda Libras para seguir ensinando Da enxada à sala de aula: professor que trabalhou no campo durante infância vence prêmio 'Nota 1.000' Lembranças Durante o reencontro, Maria Inês também demonstrou que guardava na memória muitos dos rostos que passaram por sua sala de aula. Um dos primeiros gestos foi ler para os ex-alunos um poema de Carlos Drummond de Andrade sobre recomeços. Para o comerciante Gilberto Brigatto Ramos, a lembrança da professora está ligada ao momento em que começou a aprender a escrever. Ele recorda a dificuldade diante do lápis e das linhas do caderno, e a maneira carinhosa como recebeu ajuda. “Eu nunca tinha pego um lápis para escrever. Eu podia rabiscar, pintar, como criança fazia. E eu me vi perdido. Não sabia como transferir aquelas letras para aquela linha tão estreita. E de repente, por trás de mim, ela me envolveu. Perguntou com todo carinho: 'Gilberto, você está tendo dificuldade? Deixa eu te ajudar'", contou Gilberto. Após quase 60 anos, ex-alunos reencontram professora e celebram marcas deixadas pelo ensino em Presidente Prudente (SP) Gustavo Luz/TV TEM A professora aposentada diz que não imaginava que atitudes cotidianas em sala de aula seriam lembradas tantos anos depois. Ao falar sobre a escolha da profissão, ela destaca o amor pelas crianças e a preocupação em oferecer o melhor que podia, mesmo diante das dificuldades da escola em que trabalhava. “Principalmente amor para aquelas crianças que estavam ali. Era uma escola pobre, não havia banheiro. A escola era árida e eu pensava: 'eu tenho que fazer o melhor com essas crianças'”, relatou. Naquela época, não ficaram fotografias para registrar a convivência entre professora e estudantes. O reencontro, décadas depois, acabou criando novas imagens de uma relação que continuou presente na memória dos antigos alunos. Entre eles está Marina Rosa de Souza Marques, que também se tornou professora. Para ela, a influência recebida na infância segue presente na forma como procura incentivar os próprios estudantes. “Assim como ela nos incentivou, também acredito que eu incentivo algumas crianças. Esse é o nosso papel. O papel do professor é incentivar, motivar, elevá-los a buscar algo além daquilo que ele já tem dentro dele”, disse. Após quase 60 anos, ex-alunos reencontram professora e celebram marcas deixadas pelo ensino em Presidente Prudente (SP) Gustavo Luz/TV TEM 50 anos A história de Maria Inês se conecta à de outra educadora que também fez da profissão uma parte importante da própria vida. Aos 73 anos, Edy Rita Hanke da Silveira dedicou mais de cinco décadas ao ensino. A paixão pela educação começou ainda na infância, quando brincava de dar aulas para bonecas. Antes dos 18 anos, ela já lecionava. Aposentada desde 2017, continua ensinando arte em casa. Edy conta que chegou a considerar outros caminhos profissionais, mas percebeu que queria estar perto de pessoas e seguir ensinando. “Eu acho que eu nasci para isso. Eu tentei, inclusive, me convidaram para ser secretária executiva, fui fazer o curso, abandonei e disse 'não, eu não quero isso. Eu quero gente em volta de mim”', explicou Edy. O contato com os estudantes também é uma fonte de aprendizado para a professora. Ao brincar que “rouba” a energia dos alunos, ela se refere à disposição e à troca que mantêm viva sua relação com a educação. “Eu sempre brinco com os meus alunos. Na verdade, eu estou roubando quando eles vêm aqui, porque eu roubo a energia deles. Então, eu aprendo com eles”, brincou Edy. Professora de 73 anos inspira filhas a seguirem a docência e mantém paixão pelo ensino após aposentadoria Emerson Sanchez/TV TEM De geração em geração A influência de Edy não ficou restrita aos estudantes. As filhas Ana Paula Hanke e Paula Renata Hanke também escolheram a docência e apontam a mãe como uma das principais referências para a decisão. Ana Paula recorda que aprendeu com materiais diferenciados e com o carinho da mãe, uma experiência que contribuiu para despertar nela a vontade de ensinar outras crianças. “Minha mãe sempre me ensinou com material diferenciado, sempre me ensinou com muito amor. E o jeito que ela me ensinou fez com que eu tivesse vontade de ensinar as crianças", contou Ana Paula. Paula Renata, a caçula, conta que os pais só revelaram quais profissões gostariam de ver um dos filhos seguir depois que ela já trabalhava como professora. A escolha, segundo ela, aconteceu de maneira espontânea. “Eu sou a caçula. O meu pai e a minha mãe só vieram dizer as profissões que eles gostariam que algum filho tivesse algum dia depois que eu já estava trabalhando. E eu perguntei: 'por que vocês não disseram antes?' Eles disseram: 'porque é uma liberdade de escolha de vocês'. Foi uma coincidência muito feliz”, relatou. Professora de 73 anos inspira filhas a seguirem a docência e mantém paixão pelo ensino após aposentadoria Emerson Sanchez/TV TEM A vocação também começa a despertar nos netos, que já pensam em seguir o caminho da educação. Para Edy, reencontrar antigos alunos e ouvir que teve influência em suas vidas é motivo de alegria, mas também de responsabilidade. Ao longo dos anos, ela percebeu que o vínculo criado na sala de aula pode continuar mesmo depois que os estudantes crescem. “Eu fico muito feliz quando eu ando pela cidade, isso acontece muito, e vem uma pessoa grande e diz: 'Pro?'. As pessoas se identificam e elas falam do quanto eu influenciei a vida deles. Acho uma responsabilidade muito grande. Mas, ao mesmo tempo, é fascinante saber que você fez a diferença na vida de alguém”, explicou Edy. Maria Inês também relaciona sua trajetória ao cuidado com as crianças, especialmente aquelas que passavam boa parte do tempo sem a presença dos pais, que trabalhavam fora. Ao relembrar os 50 anos dedicados à profissão, ela destaca que a motivação foi além do conteúdo ensinado. “Essas crianças, as mães trabalham fora, elas são sozinhas. As famílias eram grandes, muitos filhos. Então, acho que mais do que a paixão por ensinar, sempre foi pelas próprias crianças”, concluiu Maria Inês. Maria Inês e Edy são professoras de Presidente Prudente (SP) e marcaram a história de seus respectivos alunos TV TEM Initial plugin text Veja mais notícias no g1 Presidente Prudente e Região VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM