Veja o que se sabe e o que falta esclarecer sobre caso de jovem morta estrangulada em Santana
18/03/2026
(Foto: Reprodução) Suspeito de matar jovem por estrangulamento em loja de Santana é preso
O assassinato de Ana Paula Viana Rodrigues, de 19 anos, estudante de Ciências Biológicas da Universidade Federal do Amapá (Unifap) e funcionária de uma loja de roupas em Santana, causou comoção no Amapá. O caso levantou questionamentos sobre os índices de violência no estado.
O crime aconteceu na segunda-feira (9), quando a jovem foi encontrada sem vida dentro do depósito do estabelecimento onde trabalhava. O principal suspeito, Cláudio Pacheco, conhecido como “Coringa”, foi preso poucas horas depois. A jovem foi enterrada na terça-feira (10), no Cemitério Municipal de Santana.
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Confira o que se sabe e o que falta esclarecer sobre a morte:
Como Ana Paula morreu?
Suspeito do crime foi preso?
Foi feminicídio?
O crime foi premeditado?
Como estão as investigações?
O suspeito do crime era condenado?
1.Como Ana Paula morreu?
Ana Paula foi morta por asfixia mecânica, resultado de um estrangulamento, dentro da loja de roupas em que trabalhava, no centro de Santana. O corpo foi localizado no depósito do estabelecimento, após a proprietária perceber movimentações suspeitas pelas câmeras de segurança.
A perícia apontou que a jovem apresentou sinais de luta corporal, o que indica que tentou se defender do agressor. O corpo tinha arranhões visíveis e marcas compatíveis com resistência durante o ataque.
O corpo da jovem estava em uma área reservada do estabelecimento. Quando os agentes de segurança chegaram após suspeitas da dona da loja, encontraram Ana Paula já sem vida.
De acordo com a PM, Ana foi encontrada com um fio enrolado no pescoço. A suspeita é que Cláudio tenha usado o objeto para ajudar no estrangulamento.
Foram encontradas manchas de tinta nas mãos e no corpo da vítima. Segundo a polícia, o suspeito teria usado a tinta que estava no depósito da loja para tentar encobrir as suas impressões digitais.
No momento do crime, a jovem estava sozinha. A imagens das câmeras de segurança mostram o suspeito entrando na loja pela porta frente e pouco tempo depois fugindo em uma bicicleta.
2.Suspeito do crime foi preso?
Cláudio Pacheco, de 42 anos, conhecido como “Coringa”, foi preso poucas horas após o crime em uma área de pontes do bairro do Elesbão, em Santana. A polícia chegou até o local após uma ação conjunta das forças de segurança.
Os agentes localizaram primeiro o celular da vítima em um ponto de venda de drogas. Com imagens de câmeras de um estabelecimento por onde o suspeito passou após o crime, conseguiram traçar a rota feita por ele.
As roupas que Cláudio usou no momento do crime foram localizadas num matagal. No hora da prisão, a companheira do suspeito tentou acobertá-lo, conforme divulgado pela polícia.
Ela alegou que os arranhões no corpo de Pacheco eram resultado de uma briga entre os dois, mas os policiais já o conheciam de outro crime contra uma mulher em 2018.
Cláudio é o principal suspeito de matar a jovem Ana Paula estrangulada em Santana
Divulgação/GTA
3.Foi feminicídio?
Logo após o crime, surgiram informações de que poderia se tratar de feminicídio, hipótese descartada pela Polícia Civil após a prisão de Pacheco.
A polícia afirma que ele "matou para roubar", o que caracteriza latrocínio.
O suspeito confessou que estava sob efeito de drogas e que trocou o celular da vítima por seis pedras de crack em uma boca de fumo em Santana.
"Para ter o feminicídio teria que ter o menosprezo da condição da mulher ou um homicídio ocorrido em uma situação de violência doméstica, e no caso não foi. Ele já estava sob efeito de drogas e claramente ele fez aquele roubo para poder adquirir drogas. Fica bem caracterizado que é um latrocínio", explicou o delegado Anderson Ramos, responsável pela investigação.
Ana Paula Viana Rodrigues, de 19 anos, cursava ciências biológicas na Unifap
Divulgação
4.O crime foi premeditado?
Até o momento, não há indícios claros de que o crime tenha sido premeditado. O suspeito afirmou que estava sob efeito de drogas quando entrou na loja. A polícia avalia se a ação foi oportunista, motivada pelo roubo, ou se havia algum planejamento anterior.
Veja a cobertura do g1:
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5.Como estão as investigações?
As investigações seguem em andamento pela Polícia Civil do Amapá. Foram recolhidos objetos e roupas usados pelo suspeito, além das imagens das câmeras de segurança. Depoimentos de testemunhas também estão sendo analisados.
O suspeito passou por audiência de custódia, teve a prisão em flagrante convertida para preventiva e foi encaminhado ao Instituto de Administração Penitenciária do Estado (Iapen).
6.O suspeito do crime era condenado?
O suspeito já tinha passagens pela polícia por um homicídio cometido contra a própria vizinha em 2018. A pena estabelecida pela Justiça foi de 13 anos e 6 meses em regime fechado.
Apesar disso, ele estava em liberdade no momento em que cometeu o assassinato de Ana Paula. Além disso, o homem tem histórico de envolvimento com drogas.
A polícia informou que Cláudio saiu do presídio em outubro de 2025 para um trabalho externo e desde então não havia retornado. Ele era considerado foragido.
O Ministério Público (MP) do Amapá destacou que ele deveria estar preso, pois já havia sido condenado anteriormente e pediu explicações ao Iapen.
Segundo o promotor de Justiça Fabiano da Silveira Castanho, Cláudio ainda tem mais de nove anos de prisão a cumprir. Ele deveria estar em regime fechado, mas aparece no sistema como “aguardando captura”.
O que o MP identificou:
Não houve comunicação oficial da fuga ao Judiciário;
O sistema mostra que o preso não retornou do trabalho em outubro de 2025, mas essa informação não foi registrada nos autos;
Não há decisão judicial autorizando formalmente o trabalho externo.
Para o promotor, a falta de registro e de comunicação atrasou medidas que poderiam ter sido tomadas ainda em 2025, como a regressão do regime e a emissão de mandado de prisão.
Loja fica localizada no Centro da cidade
Polícia Militar/Divulgação
Manifestação e pedido por Justiça
Uma semana após o assassinato, moradores de Santana se reuniram na Praça Cívica Francisco Nobre, na segunda-feira (16), em um ato por Justiça. Vestidos de rosa e preto, familiares, amigos e vizinhos transformaram o espaço em cenário de luto e homenagem, reforçando o apelo para que o caso não seja esquecido.
No ato, além de cartazes e homenagens, familiares e amigos compartilharam lembranças da jovem. Entre eles estava Marcos Castro, namorado de Ana Paula.
“O meu pedido é que algo seja feito de verdade. Ela não foi a primeira e, infelizmente, pode não ser a última até que haja mudança. Espero que ela não seja só mais um número, só mais uma estatística de um crime horrível. Quero justiça por ela e por todas as mulheres”, declarou.
Ato em Santana pede Justiça por jovem assassinada
Gabriel Morais/Rede Amazônica
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