Última noite do Grupo Especial tem homenagens a ícones do carnaval e faz viagens ao Recife e a Cuba
17/02/2026
(Foto: Reprodução) Explicando os sambas-enredo do grupo especial do Rio (PARTE 3)
Quatro escolas encerram nesta Terça-Feira Gorda (17) os desfiles do Grupo Especial de 2026 no Rio de Janeiro. Pisam na Sapucaí Tuiuti, Vila Isabel, Grande Rio e Salgueiro.
É mais uma noite de homenagens, com exaltações a Heitor dos Prazeres, a Rosa Magalhães e a Chico Science. Também há uma viagem a Cuba.
O g1 vai transmitir na íntegra todos os desfiles do Grupo Especial. Na página especial, você também acompanha destaques das escolas, trechos das apresentações e as últimas notícias da Sapucaí.
Nesta 3ª noite, teremos:
A ancestralidade e a religiosidade afro-cubanas;
A arte, o samba e a genialidade de Heitor dos Prazeres;
A cultura que emergiu da lama recifense no Manguebeat;
E o mundo inventivo e um pouco bruxo de Rosa Magalhães.
Oito escolas já desfilaram: 4 no domingo (15) e 4 na segunda-feira (16).
Clique na sua escola para ir direto à seção dela.
Paraíso do Tuiuti
Unidos de Vila Isabel
Acadêmicos do Grande Rio
Acadêmicos do Salgueiro
Horários do Grupo Especial
1. Paraíso do Tuiuti
Cartaz do enredo da Tuiuti de 2026
Reprodução
Resumo rápido
Que horas desfila: esquenta às 21h45, início às 22h
Enredo: “Lonã Ifá Lukumi”.
Cores: 🔵🟡Azul e amarelo.
Quantos títulos no Grupo Especial: nenhum
O enredo em 10 pontos
Enredo e samba: Paraíso do Tuiuti
A origem do axé e do oráculo de Ifá na tradição iorubá, com Orunmilá como guardião do destino da humanidade.
A formação do saber sagrado em Ilé Ifé e sua transmissão aos babalaôs por meio dos odus, do opelê e do oponifá.
A expansão do Ifá pela África antiga antes da travessia forçada pelo Atlântico.
A chegada dos iorubás escravizados a Cuba e o nascimento da nação Lucumi.
A resistência dos lucumis contra a escravidão, com destaque para a liderança de Carlota Lucumí em Matanzas.
A consolidação do Ifá cubano por Remígio Herrera, o Adechina, e a fundação da Regla de Ifá na ilha.
A formação da Santería como estratégia de sobrevivência religiosa diante da perseguição colonial.
O desenvolvimento de práticas próprias em Cuba, como o Obi, o uso do ileké e do idefá e os rituais dos cabildos.
A conexão espiritual entre Cuba e Brasil, com a chegada do Ifá Lucumí ao Rio de Janeiro por meio de sacerdotes iniciados.
A afirmação do Ifá como caminho de sabedoria, equilíbrio e resistência cultural no mundo contemporâneo.
Cante o samba
Tuiuti vai mergulhar na ancestralidade e religiosidade afro-cubana
Autores: Claudio Russo, Gustavo Clarão e Luiz Antonio Simas
Intérprete: Pixulé
Ibarabô, agô lonã
Olukumí
Iboru iboya ibosheshe
Canta Tuiuti!
Meu padrinho me falou
Cada um tem seu ori
O destino é professor
A raiz é Lucumí
Ifá, retira dessa flor os seus espinhos
Revela meu odu e seus caminhos
Com os ikins de Orunmilá
Me dê seu irê para vida
Olodumarê criador
Espalhou axé e amor
No Ilê dos orixás
E o negro iniciado no segredo
Do reino de Olokun fez sua trilha
Rompendo os grilhões de morte e medo
Foi o primeiro babalaô da ilha
Babá moforibalé, babá moforibalé
Orunmilá Taladê, babá moforibalé
Eleguá
É o dono do poder
Moenda não pode mais moer
Põe fogo na cana
Eleguá
Tem mandinga e dendê
Hoje o couro vai comer
Nas barbas de Havana
Ah! O ânimo de ser do baticum
Com a lâmina sagrada de Ogum
E a sina de quem ama o Idefá
Ah! A rama do Caribe se expandiu
No verde e amarelo do Brasil
Nas cordas do opelê e no oponifá
Derruba os muros quem sabe asfaltar
Caminhos abertos na mão de Ifá
Que o mundo entenda
O ebó vence a dor
Sentado à esteira de um babalaô
Quem é quem
Mayara Lima, rainha da Tuiuti
Anderson Bordê/AgNews
Carnavalesco: Jack Vasconcelos
Diretor de Carnaval: Leandro Azevedo
Intérprete: Pixulé
Mestre de Bateria: Marcão
Rainha de Bateria: Mayara Lima
Mestre-Sala e Porta-Bandeira: Vinicius Antunes e Rebeca Tito
Comissão de Frente: David Lima
2. Unidos de Vila Isabel
Cartaz do enredo da Vila Isabel de 2026
Reprodução
Resumo rápido
Que horas desfila: entre 23h20 e 23h30
Enredo: “Macumbembê, samborembá: sonhei que um sambista sonhou a África”.
Cores: 🔵⚪Azul e branco.
Quantos títulos no Grupo Especial: 3
Ano do último título: 2013 (relembre aqui como foi)
O enredo em 10 pontos
Enredo e samba: Vila Isabel explora a conexão de Heitor dos Prazeres com o Rio, a cultura afro-brasileira e a África
A celebração da vida e da obra de Heitor dos Prazeres, multiartista que sonhou e reinventou a África no coração do Rio de Janeiro.
A relação entre macumba e samba como origem comum da cultura popular negra carioca.
A formação de Heitor na Pequena África da Praça Onze, sob a influência de Tia Ciata, Hilário Jovino e as tradições baianas.
O aprendizado nos terreiros, nas rodas e nos ranchos, onde fé, música e comunidade se misturavam.
A trajetória como sambista, compositor e cavaquinista, ajudando a moldar o samba moderno.
A participação na fundação e consolidação das primeiras escolas de samba e na construção da identidade carnavalesca.
A criação de personagens e marchinhas marcantes, como o “Pierrô Apaixonado”, e o diálogo com nomes como Noel Rosa e Cartola.
A atuação como pintor e cronista visual da cultura popular, registrando bailes, terreiros e cenas do cotidiano negro.
O reconhecimento nacional e internacional, incluindo a participação no Festival Mundial de Artes Negras em Dakar.
A consagração de Heitor como símbolo da ancestralidade do samba e da África reinventada na avenida pela Vila Isabel.
Cante o samba
Vila Isabel vai homenagear o multiartista Heitor dos Prazeres
Autores: Andre Diniz, Evandro Bocão e Arlindinho
Intérprete: Tinga
Ora yê yê ô, Oxum
Kabecilê, Xangô
Meus sonhos e tambores, tintas e “prazeres”
Pra você, Heitor
Sonhei macumbembê, sonho samborembá
Macumba é samba, e o samba é macumba
Pode até fazer quizumba, só não pode é separar
Sonho samborembá, macumbembê
Vem da mãe-terra, firmou ponto na Bahia
E na África Pequena germinou pra florescer
Ê, quilombo... é a Pedra do Sal
Arraigou em terreiro e quintal
No chão batido assentou o fundamento
Foi o Lino de madrinha
De padrinho, espelhamento
Flutuou na capoeira ao perfume de Ciata
Negro príncipe de ouro...
O anjo de asas de prata
Um ogã-alabê, macumbeiro
A fumaça do cachimbo, preto-velho soprou
Encanto da gira e da roda de bamba
Poesia na curimba, batuqueiro e cantador
Foi do lundu e do cateretê
Alinhou no linho santo, cavaquinho na mão
Apaixonado pierrot, afro-rei
A flecha certeira de Oxóssi na canção
Reluz nas escolas, em Noel e Cartola
Ganhou o mundo com o mundo de Paulo Brazão
De todos os tons, a Vila Negra é
De todos os sons, a Negra Vila é
De China e Ferreira, Mocambo Macacos e Pau da Bandeira
Da nossa favela branca e azul do céu
No branco da tela, o azul do pincel
Vem ser aquarela, pintar a Unidos de Vila Isabel
Quem é quem
Sabrina Sato, rainha da Vila Isabel
Anderson Bordê/AgNews
Carnavalescos: Leonardo Bora e Gabriel Haddad
Diretor de Carnaval: Moisés Carvalho
Intérprete: Tinga
Mestre de Bateria: Macaco Branco
Rainha de Bateria: Sabrina Sato
Mestre-Sala e Porta-Bandeira: Raphael Rodrigues e Dandara Ventapane
Comissão de Frente: Alex Neoral e Márcio Jahú
3. Acadêmicos do Grande Rio
Cartaz do enredo da Grande Rio para 2026
Reprodução
Resumo rápido
Que horas desfila: entre 0h55 e 1h15
Enredo: “A nação do mangue”.
Cores: 🔴🟢⚪Vermelho, verde e branco
Quantos títulos no Grupo Especial: 1
Ano do último título: 2022 (relembre aqui como foi)
O enredo em 10 pontos
Enredo e Samba 2026: Grande Rio se prepara para celebrar o Manguebeat na Sapucaí
A origem do Manguebeat nas periferias de Recife como resposta cultural à desigualdade e à estagnação social.
A ressignificação do mangue, antes visto como miséria, como símbolo de fertilidade, resistência e potência criativa.
A influência do manifesto “Caranguejos com Cérebro” e a ideia de injetar energia na lama para revitalizar a cidade.
A liderança de Chico Science e a formação de uma geração de mangueboys e manguegirls.
A mistura de tradições nordestinas com rock, hip-hop e música eletrônica, criando uma sonoridade híbrida e inovadora.
A valorização da cultura popular do Recife, como maracatu, coco, ciranda e batuques ancestrais.
A denúncia da exclusão social e a afirmação da periferia como centro de criação e transformação.
A expansão do Manguebeat para além de Pernambuco, influenciando o Brasil e o mundo.
A conexão simbólica entre Recife e Duque de Caxias, cidades marcadas por mangues e pela força das margens.
A celebração da Nação do Mangue como utopia viva, onde cultura, resistência e festa constroem um novo futuro.
Cante o samba
Grande Rio vai trazer o Manguebeat para a Sapucaí; veja o samba
Autores: Ailson Picanço, Marquinho Paloma, Davison Wendel, Xande Pieroni, Marcelo Moraes e Guga Martins
Intérprete: Evandro Malandro
Eu sou do mangue, filho da periferia
Sobre uma palafita Grande Rio anunciou
Ponta de lança é Daruê
Dobra o gonguê... a revolução já começou!
Lá vem caboclo, herdeiro de Zumbi
A nação está aqui, não se curva ao poder
Escute, nossa gente vem da lama
Resistência que inflama
Quando toca o xequerê
Casa de gueto! Casa de gueto!
Nossa voz que não se cala
Batuque sem medo, por direito
É o toque das alfaias
Eu também sou caranguejo
À beira do igarapé
Gabiru trabalha cedo,
Cata o lixo da maré
“Manamauê”, maracatu
Saluba, ê, Nanã Yabá
A vida parecida com as águas
Não é doce como o rio
Nem salgada feito o mar
A margem já subiu para a cidade
Entre tronco e cipó
Rebeldia dá um nó... pensamento popular
Gramacho encontrou Capibaribe
Num mundo livre, quero ver você cantar
Freire, ensine um país analfabeto
Que não entendeu o manifesto
Da consciência social
Chico, Manguebeat tá na rua
Caxias comprou a luta e transforma em carnaval
Respeite os tambores do meu ilê
Respeite a cadência do meu ganzá
À frente, o estandarte do meu povo
Pra erguer um tempo novo
Que nos faz acreditar
Quem é quem
Virginia no ensaio da Grande Rio
Anderson Bordê/AgNews
Carnavalesco: Antônio Gonzaga
Diretor de Carnaval: Thiago Monteiro
Intérprete: Evandro Malandro
Mestre de Bateria: Fabrício Machado (Fafá)
Rainha de Bateria: Virginia Fonseca
Mestre-Sala e Porta-Bandeira: Daniel Werneck e Taciana Couto
Comissão de Frente: Hélio Bejani e Beth Bejani
4. Acadêmicos do Salgueiro
Cartaz do enredo do Salgueiro para 2026
Reprodução
Resumo rápido
Que horas desfila: entre 2h30 e 3h
Enredo: “A delirante jornada carnavalesca da professora que não tinha medo de bruxa, de bacalhau e nem do pirata da perna-de-pau”.
Cores: 🔴⚪Vermelho e branco
Quantos títulos no Grupo Especial: 9
Ano do último título: 2009 (relembre aqui como foi)
O enredo em 10 pontos
Enredo e Samba: Salgueiro prepara homenagem para Rosa Magalhães
A homenagem à carnavalesca Rosa Magalhães, professora que transformou livros em desfiles.
A biblioteca como portal para os universos imaginados e recriados por Rosa na Sapucaí.
A viagem pelos contos de fadas, lendas e personagens fantásticos que ganharam vida na Avenida.
O encontro de culturas, mitos e civilizações em travessias que cruzam mares e continentes.
A celebração do Brasil retratado por artistas viajantes, com sua natureza exuberante e diversidade.
A reflexão sobre a construção da identidade brasileira por meio da literatura, das artes e dos movimentos culturais.
A mistura criativa de referências históricas e populares que marcaram a estética da professora.
O retorno ao carnaval como ponto de chegada e síntese de toda a jornada imaginária.
A consagração de Rosa como mestra da folia, coroada simbolicamente na sua própria casa momesca.
A afirmação do legado da artista, cuja obra permanece viva como um livro aberto que nunca se encerra.
Cante o samba
Salgueiro vai homenagear Rosa Magalhães; veja o samba
Autores: Rafa Hecht, Samir Trindade, Thiago Daniel, Clairton Fonseca, Fabricio Sena, Deiny Leite, Felipe Sena, Ricardo Castanheira, JP Figueira, Deco, Marcelo Motta, Dudu Nobre, Julio Alves, Manolo, Daniel Paixão, Jonathan Tenorio, Kadu Gomes, Zé Moraes, Jorge Arthur e Fadico.
Intérprete: Igor Sorriso
Ô, lê, lê! Eis a flor dos amanhãs
A 10ª estrela brilha em Rosa Magalhães
Onde o samba é primavera, que floresce em fevereiro
Nem melhor, nem pior... Salgueiro!
Eu viajei nos rococós da ilusão
Arte que me inspirou
Reencontrei, no mundo de imaginação
Memórias que você criou
Dos livros revi personagens
Barrocas imagens e nobres lembranças
Ao visitar meus sonhos de faz de conta
Me desenhei criança, voltei a ser feliz
Que ti-ti-ti é esse pelo mundo a me levar?
Naveguei sem sair do meu lugar
Aportei no dia 22 de abril
À sombra de um pau-brasil
Assim descobri meu país
Fauna e flora, pelo seu olhar
Os donos da Terra Brasilis...
Um jegue me fez balançar...
Nas prateleiras do lado de cá do Equador
Devorei a nação
Andar na Ouvidor virou caso de amor
Pro meu coração
Mestra, você me fez amar a festa
E eu virei carnavalesco
Sonhei ser Rosa, te faço enredo
Mestra, você me fez amar a festa
Tantos alunos por aqui...
Segue o legado na Sapucaí!
Quem é quem
Viviane Araújo, rainha de bateria do Salgueiro
Paulo Tauil/AgNews
Carnavalesco: Jorge Silveira
Diretor de Carnaval: Wilsinho Alves
Intérprete: Igor Sorriso
Mestres de Bateria: Guilherme e Gustavo
Rainha de Bateria: Viviane Araújo
Mestre-Sala e Porta-Bandeira: Sidcley Santos e Marcella Alves
Comissão de Frente: Paulo Pinna