Punição, falha na comissão de frente e acidente marcam desfile que levou ao rebaixamento da Rosas de Ouro
18/02/2026
(Foto: Reprodução) Membros da escola Rosas de Ouro durante a apuração do Grupo Especial de Carnaval 2026.
RODILEI MORAIS/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO
Atual campeã do Grupo Especial do Carnaval 2026, a Rosas de Ouro foi rebaixada nesta terça-feira (17). A escola terminou a apuração em penúltimo lugar, com 268,4 pontos, e vai disputar o Grupo de Acesso 1 no próximo ano.
Quinta a entrar no Sambódromo do Anhembi, em São Paulo, em plena sexta-feira 13, a Roseira levou para a avenida o enredo “Escrito nas Estrelas”. O desfile percorreu da criação do universo ao momento em que as civilizações passaram a usar os astros como guia.
Apesar de ter feito uma apresentação considerada consistente, a escola já começou a disputa em desvantagem: perdeu 0,5 ponto por atraso na entrega das pastas técnicas destinadas aos jurados.
Na comissão de frente, outro problema impactou o desempenho. A proposta previa 12 componentes, cada um representando um signo do zodíaco, mas o integrante que representaria Libra passou mal e não entrou na avenida.
Libra é justamente o signo da escola, fundada em 18 de outubro de 1971, e é tradicionalmente associado à justiça e ao equilíbrio.
LEIA TAMBÉM:
Mocidade Alegre é campeã do carnaval de SP e conquista o 13º título
Gaviões da Fiel bate na trave e perde título do Carnaval de SP por um décimo
A 15 metros do chão, Vitor diCastro encarna Walter Mercado pela Rosas de Ouro
Vitor diCastro encarna Walter Mercado pela Rosas de Ouro
O quesito com as menores notas foi a bateria. A Rosas recebeu 9,6 — a menor nota da escola em toda a apuração — além de dois 9,9 e um 10.
Nesse quesito, os jurados avaliam a manutenção do ritmo em sintonia com o samba (sustentação), a precisão e o sincronismo entre os instrumentos (execução), o equilíbrio de volumes entre os naipes (equalização), a afinação dos timbres e as bossas, que devem ser criativas e bem executadas.
O único quesito que recebeu todas as notas 10 foi enredo. Segundo o manual do julgador, são analisados critérios como realização narrativa, desenvolvimento do roteiro e leitura plástica do tema na avenida.
Passistas da Rosas de Ouro fantasiados na temática da astrologia, no Anhembi, na madrugada de sábado (14).
Natália Rampinelli/ AgNews
Além das questões técnicas, a escola enfrentou um episódio grave nos bastidores. Uma mulher que desfilava como semi-destaque teve parte do dedo esmagada por uma empilhadeira na área de concentração do Sambódromo.
Segundo um funcionário da Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo (Liga-SP), que presenciou o acidente, a integrante era içada para o segundo carro alegórico quando colocou a mão em um ponto inadequado do equipamento e acabou ferida.
Mesmo com elogios de parte do público, o desconto inicial de pontos e as notas baixas em quesitos decisivos pesaram na soma final e culminaram no rebaixamento da então campeã.
Mestre-sala e porta-bandeiras da Rosas de Ouro, na madrugada de sábado (14) no Anhembi.
Natália Rampinelli/ AgNews