O fóssil 'sorridente' encontrado por turista em ilha com 150 habitantes

  • 19/02/2026
(Foto: Reprodução)
Fóssil foi encontrado na costa da Inglaterra. Tony Jolliffe/BBC A britânica Christine Clark, de 64 anos, estava procurando fósseis durante uma caminhada logo após o Natal de 2025 na pequena Holy Island of Lindisfarne, uma ilha na costa da Inglaterra, quando algo lhe chamou a atenção. Uma pedra parecia estar "sorrindo para mim", ela conta. "Parecia uma dentadura postiça." Clark a levou para casa e compartilhou uma foto em uma página de identificação de fósseis no Facebook na esperança de que os internautas a ajudassem a descobrir o que tinha encontrado. Milhares de curtidas e comentários depois, sua suspeita de que se tratava de um antigo animal marinho parecia se confirmar. Clark estava à procura de pequenos fragmentos fossilizados do caule de crinoides, historicamente usados ​​para fazer colares na região. Tony Jolliffe/BBC Clark passa férias todos os anos com o marido, Gerard, na ilha — uma pequena faixa de terra com apenas 150 habitantes que fica isolada duas vezes por dia pelo mar e é considerada o berço do cristianismo inglês primitivo. Quando está lá, ela costuma caminhar na praia procurando as chamadas "contas de Cuddy", partes fossilizadas do caule de um animal marinho chamado crinoide que são comumente encontradas na região e usadas em colares. VEJA TAMBÉM: Animação mostra como seria bebê dinossauro encontrado em fóssil na China Elas também são conhecidas como "contas de São Cuthbert", em homenagem ao santo padroeiro do norte da Inglaterra de mesmo nome, que chegou à ilha como monge em 670 tendo como destino o mosteiro local e está enterrado lá. Como conta Frances McIntosh, curadora de coleções do Nordeste da Inglaterra no English Heritage, entidade responsável por parte do patrimônio histórico do país, a área em torno do santuário dedicado a Cuthbert foi frequentemente associado a milagres. Assim, centenas de anos depois da morte do monge, no século 14, quando as pessoas começaram a encontrar esses pequenos fósseis, acharam que eles podiam ter relação com o santo. "Mas elas não sabiam o que eram, [pensavam] que Cuthbert os estava produzindo, que fazia parte de seu processo espiritual, e que, ao coletá-los, poderiam se tornar mais espiritualizados", disse ela. E assim a tradição continuou e, no fim do ano passado, Clark estava à procura das contas, mas avistou um fóssil com uma aparência completamente diferente entre os seixos na praia. "Eu vi este fóssil sorrindo para mim — foi o primeiro conjunto de dentes que encontrei", brincou. Ela descobrira depois, contudo, que aquilo não eram dentes. A BBC obteve a identificação do fóssil pelo Serviço Geológico Britânico (BGS), que confirmou se tratar de um fragmento de um crinoide. Os crinoides são animais marinhos que surgiram no período Cambriano, há mais de 500 milhões de anos, o que os torna um dos animais complexos mais antigos do planeta. Versões deles ainda existem hoje. Possuem uma haste flexível, presa ao fundo do mar, com braços ramificados dispostos ao redor da parte principal do corpo, que fica no tipo de uma espécie de haste — embora seja um animal, essa disposição lhes rendeu o apelido de "lírios-do-mar". "A haste consiste em pequenos discos, chamados ossículos, e o que Clark encontrou foi um conjunto desses ossículos conectados, formando o que chamamos de coluna", explicou Jan Hennissen, paleontólogo sênior do Serviço Geológico Britânico (BGS, na sigla em imglês). LEIA MAIS: Fóssil de dinossauro com duas garras surpreende cientistas Fósseis são evidências científicas e não devem ser vendidos para colecionadores privados, defendem paleontólogos A haste foi dividida longitudinalmente e curvada, ganhando uma forma incomum que lembra uma boca. "Provavelmente provém de uma formação rochosa chamada Formação Alston, que é um calcário escuro, e tem cerca de 350 milhões de anos", disse Hennissen. Os crinoides fazem parte do filo Echinodermata, que também inclui os ouriços-do-mar e os pepinos-do-mar. É muito raro encontrar um crinoide completo, sendo mais comuns observar os discos individuais que compõem o caule — as chamadas contas de São Cuthbert — que muitas vezes se assemelham a balas de menta. Fósseis de crinoides estão entre os mais comuns encontrados na costa de Northumberland, onde fica a Holy Island. Hennissen destaca que geralmente é fácil identificá-los na região. "A forma biológica é muito diferente da rocha circundante, normalmente — seja uma cor diferente ou uma composição diferente", explicou. "E você pode ver essas linhas muito nítidas, que são bem definidas em contraste com o argilito [circundante]." Clark recebeu diversas ofertas de interessados em comprar seu fóssil, mas por enquanto pretende ficar com ele. "Ele diverte muita gente", disse ela.

FONTE: https://g1.globo.com/ciencia/noticia/2026/02/19/o-fossil-sorridente-encontrado-por-turista-em-ilha-com-150-habitantes.ghtml


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