MP pede que PM explique caso de alunos que fizeram flexão em escola cívico-militar do DF
27/02/2026
(Foto: Reprodução) Alunos de escola cívico-militar no DF são obrigados a fazer flexões, diz denúncia
O Ministério Público do Distrito Federal pediu, nesta quinta-feira (26), que a Corregedoria-Geral da Polícia Militar investigue o caso de alunos que tiveram que fazer flexão no Centro Educacional 1 do Itapoã, uma escola cívico-militar.
Pais e o Sindicato dos Professores denunciaram que, na quarta-feira (25), os estudantes foram obrigados a fazer flexões e ficar de joelhos porque policiais militares acharam que a cor dos agasalhos que eles usavam não era adequada.
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A PM tem cinco dias para responder. m comentário feito à TV Globo, o major Brooke, porta-voz da Polícia Militar, disse que o ocorrido "foi uma brincadeira para descontrair" (veja vídeo abaixo).
"Ninguém forçou ninguém a fazer os exercícios. Na verdade, foi uma brincadeira utilizada para descontrair. Inclusive, o professor de educação física estava presente. Quem não podia ou não queria participar, não participou. De imediato, esses policiais foram afastados justamente para a gente poder manter a lisura do processo, para poder apurar exatamente o que aconteceu", afirmou o major.
Porta-voz da PMDF diz que alunos não foram obrigados a fazer flexões: "Brincadeira"
Em nota, a Secretaria de Educação do DF disse que a direção do CED 1 do Itapoã esclareceu que "houve um equívoco na condução do episódio". A pasta falou que a Polícia Militar autorizou as substituições dos militares envolvidos, "que ocorrerão de forma imediata".
🔎 Em maio de 2025, a escola CED 1 do Itapoã foi alvo de outra denúncia feita por alunos. Eles relataram casos de violência física e psicológica.
🔎 Em junho de 2024, a escola também foi alvo de denúncias quando um adolescente disse ter sido agredido por um policial depois de chegar atrasado para a aula.
Edital recém-publicado
O edital para credenciar empresas especializadas na confecção e fornecimento de uniformes escolares cívico-militares da rede pública de ensino foi publicado nesta terça-feira (24), após o início do ano letivo.
Apesar dos alunos ainda não encontrarem os uniformes nas malharias credenciadas pelo GDF, a Secretaria de Educação nega que os estudantes serão prejudicados.
" Não há exigência de uso exclusivo do uniforme enquanto o processo de fornecimento não estiver integralmente concluído, sendo permitido o uso de peças do ano anterior em bom estado ou vestimenta alternativa", afirmou a pasta.
Sindicato diz que punição foi desproporcional
Centro Educacional 1 do Itapoã, uma das escolas que tem gestão compartilhada com a PMDF
TV Globo/Reprodução
Segundo o diretor do Sindicato dos Professores, Samuel Fernandes, esse tipo de punição é constrangedora, desproporcional e não tem caráter pedagógico. Na avaliação dele, a disciplina escolar não pode ultrapassar os limites do respeito e da dignidade dos estudantes.
Ainda de acordo com o diretor, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) garante que os estudantes devem ser protegidos de qualquer tratamento vexatório ou constrangedor. Para ele, obrigar estudantes a realizar exercícios físicos ou ficar ajoelhados como punição fere esse princípio e pode configurar abuso de autoridade e violação de direitos.
Samuel Fernandes pede que o caso seja apurado com responsabilidade e que medidas sejam tomadas para que práticas desse tipo não voltem a acontecer, garantindo que a escola seja um ambiente de formação, respeito e proteção aos alunos.
O que diz a Secretaria de Educação
"A Secretaria de Educação do Distrito Federal informa que tomou conhecimento da situação ocorrida no CED 1 do Itapoã na manhã desta quarta-feira (25/2). A direção da unidade esclareceu que houve um equívoco na condução do episódio.
A Pasta já acionou a Secretaria de Segurança Pública e a Polícia Militar do Distrito Federal autorizou as substituições dos militares que ocorrerão de forma imediata.
A Secretaria ressalta que não compactua com qualquer prática que possa ser interpretada como constrangedora ou inadequada ao ambiente escolar. O caso será devidamente apurado para o completo esclarecimento dos fatos e eventual adoção das medidas administrativas cabíveis.
Em relação ao uso de uniforme, a Secretaria reforça que nenhum estudante será prejudicado em suas atividades escolares por eventual ausência ou inadequação de vestimenta, uma vez que o foco da rede pública é garantir o acesso, a permanência e a aprendizagem com respeito e acolhimento.
A SEEDF reforça o compromisso com os princípios previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente e na Constituição Federal do Brasil de 1988, que asseguram a proteção integral e a dignidade de crianças e adolescentes, e segue acompanhando o caso para que o ambiente escolar permaneça seguro, pedagógico e respeitoso para toda a comunidade."
O que diz a PM
"A Polícia Militar do Distrito Federal informa que tomou conhecimento da situação ocorrida no CED 1 do Itapoã nesta quarta-feira (25/2). A direção da unidade esclareceu que houve um equívoco na condução do episódio e a PMDF já orientou o afastamento e a substituição dos policiais que atuam na escola.
A corporação ressalta que não compactua com qualquer prática que possa ser interpretada como constrangedora ou inadequada ao ambiente escolar. O caso será devidamente apurado para o completo esclarecimento dos fatos e eventual adoção das medidas administrativas cabíveis.
Reforçamos o compromisso com os princípios previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente e na Constituição Federal do Brasil de 1988, que asseguram a proteção integral e a dignidade de crianças e adolescentes, e segue acompanhando o caso para que o ambiente escolar permaneça seguro, pedagógico e respeitoso para toda a comunidade."
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