MP investiga incêndio que destruiu mais de 20 hectares de vegetação no Pantanal de MS
11/03/2026
(Foto: Reprodução) MP investiga incêndio que destruiu mais de 20 hectares de vegetação no Pantanal de MS
MPMS
O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) abriu um inquérito civil para investigar um incêndio que destruiu 20,04 hectares de vegetação nativa em uma Área de Preservação Permanente (APP) às margens do Rio Miranda, dentro da Fazenda Cristo Redentor, no município de Miranda, região do Pantanal sul-mato-grossense.
O fogo foi registrado entre os dias 11 e 12 de setembro de 2025. O foco foi identificado inicialmente pelo Programa Pantanal em Alerta, que monitora diariamente focos de calor no bioma por meio de imagens de satélite e sensoriamento remoto.
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Segundo análises do Núcleo de Geotecnologias (Nugeo), as chamas começaram em um ponto específico da área e se espalharam rapidamente. Os dados também confirmaram que o incêndio atingiu uma área totalmente localizada dentro da APP, o que aumenta a gravidade do dano ambiental.
Perícia descarta causas naturais
A perícia criminal oficial, solicitada pelo Ministério Público, fez uma vistoria técnica no local e encontrou sinais recentes de presença humana. Entre os vestígios estavam estruturas improvisadas, resíduos e latas normalmente usadas para acender fogo. Também foram encontrados indícios de que pescadores frequentavam a área.
De acordo com o laudo pericial, foram descartadas causas naturais para o início do incêndio, como raios, combustão espontânea ou explosões naturais. Apesar disso, não foi possível identificar quem iniciou o fogo.
Os peritos confirmaram que as chamas começaram perto do ponto indicado pelo sistema de monitoramento e avançaram em direção a um morro próximo, atingindo árvores nativas de médio e grande porte.
Investigação e medidas
Diante das evidências, a 2ª Promotoria de Justiça de Miranda adotou medidas para aprofundar a investigação e identificar possíveis responsáveis.
Entre as ações determinadas estão pedidos ao Núcleo de Geotecnologias para identificar o proprietário atual da área registrada no Cadastro Ambiental Rural (CAR) e confirmar se toda a Área de Preservação Permanente foi atingida. O órgão também deve delimitar com precisão o tamanho da área afetada.
O Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) também foi comunicado para que o inquérito seja anexado ao cadastro ambiental da fazenda, permitindo o acompanhamento administrativo do caso. Além disso, o Ministério Público solicitou ao cartório de registro de imóveis a matrícula atualizada da propriedade.
Área já era considerada prioritária
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Segundo o Programa Pantanal em Alerta, a fazenda onde ocorreu o incêndio já estava na lista de áreas consideradas prioritárias para prevenção de queimadas em 2025.
O imóvel também constava na relação do Imasul de propriedades aptas para a chamada “queima prescrita”, técnica de manejo usada para reduzir material que pode alimentar incêndios de grandes proporções.
Mesmo assim, o caso reforça a vulnerabilidade da região e a necessidade de reforçar medidas de prevenção, como manutenção de aceiros, vigilância constante e planos de contingência.
O Ministério Público informou que continuará acompanhando o caso e reunindo documentos, laudos e informações técnicas para avaliar possíveis medidas administrativas e judiciais.
A investigação busca garantir a preservação do Pantanal, considerado um dos biomas mais importantes do país, além de responsabilizar eventuais envolvidos por danos ambientais.
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