Mortes em protestos no Irã chegam a 5.000, diz agência; líder supremo volta a culpar Trump por mortes
18/01/2026
(Foto: Reprodução) Trump anuncia que países que fazem negócios com o Irã serão tarifados nas transações comerciais com EUA
Reprodução/TV Globo
Cerca de 5.000 pessoas já morreram em decorrência da violência durante a onda de protestos no Irã, afirmou neste domingo (18) uma fonte do governo iraniano à agência de notícias Reuters.
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➡️ Iranianos protestam há mais de 20 dias em manifestações que começaram por conta da crise econômica e do alto custo de vida no país do Oriente Médio, mas que terminaram pedindo o fim do regime dos aiatolás, que governam o Irã há mais de 40 anos com duras leis de repressão, principalmente às mulheres.
A repressão aos protestos — com relatos de que policiais e militares matam a tiros manifestantes, gerou reação mundial —, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou atacar o Irã, reativando as tensões entre os dois países rivais.
O governo iraniano nega e diz que as mortes de civis e agentes de segurança são causadas pelos próprios manifestantes, que incitam a violência. Teerã acusa os Estados Unidos de infiltrar agentes nos protestos.
O novo balanço ainda não havia sido confirmado oficialmente até a última atualização desta reportagem. O grupo de direitos humanos norte-americano HRANA, uma das ONGs que vêm fazendo a contagem dos mortos, afirmou no sábado (17) que o balanço de vítimas era de 3.308, mas disse que havia outros 4.382 casos sob análise.
Além das mortes, 24.000 pessoas foram presas, disse ainda a ONG.
Já a Iran Human Rights (IHR), sediada na Noruega, contabiliza 3.428 manifestantes mortos pelas forças de segurança, mas diz que esse balanço poderia ser maior. O canal de oposição Iran International, com sede no exterior, anunciou que 12.000 pessoas morreram nas manifestações, citando autoridades do governo e fontes da segurança.
"Não se espera que o número final de mortos aumente significativamente", disse à Reuters a fonte do governo iraniano, que acusou "Israel e grupos armados no exterior" de apoiar a equipar os manifestantes. O funcionário do governo iraniano afirmou ainda que, do total de mortos, cerca de 500 eram militares ou policiais.
TIROS NA CABEÇA, METRALHADORAS, CORPOS ENFILEIRADOS: os relatos da repressão brutal aos protestos no Irã
'Quebrar as costas dos insurgentes'
Líder supremo do Irã responsabiliza Trump por mortes em protestos
O líder supremo do Irã, Ali Khamenei, voltou a condenar os protestos neste sábado (17) e disse que as autoridades de seu país "têm a obrigação de quebrar as costas dos insurgentes". Ele culpou ainda Donald Trump pelas mortes ocorridas durante a repressão à recente onda de protestos (veja no vídeo acima).
"Não pretendemos levar o país à guerra, mas não perdoaremos os criminosos domésticos (...) assim como não perdoaremos os criminosos internacionais, piores que os domésticos", disse a uma multidão de apoiadores reunidos por ocasião de uma festividade religiosa.
"A nação iraniana deve quebrar as costas dos insurgentes, da mesma forma que quebrou a insurreição", acrescentou.
Desde 28 de dezembro, o Irã é sacudido por uma onda de protestos, que começou entre comerciantes descontentes com a crise econômica no país e logo levou a uma mobilização contra o regime teocrático vigente desde a revolução de 1979.
As autoridades iranianas qualificam os protestos de "terroristas" e acusam os Estados Unidos de instigá-los. O governo também cortou a internet desde 8 de janeiro.
Khamenei aproveitou seu discurso para criticar Trump, que havia ameaçado atacar o Irã caso o regime começasse a executar alguns dos manifestantes detidos.
"Consideramos o presidente americano culpado pelos mortos, pelos danos e pelas acusações formuladas contra a nação iraniana", disse o aiatolá, no poder desde 1989. "Tudo isso foi uma conspiração americana", declarou, acrescentando que "o objetivo dos Estados Unidos é devorar o Irã (...) é submeter o Irã militar, política e economicamente".
O procurador de Teerã, Ali Salehi, declarou à TV estatal que a resposta do governo foi "firme, dissuasiva e rápida".
Magnitude da repressão
Manifestantes incendeiam carros e edifícios nas ruas de Teerã, no Irã, em manifestações contra o governo de Ali Khamenei em janeiro de 2026.
Redes sociais via Reuters
No entanto, a preocupação com o número de mortos na repressão aumentava. Os dados são de difícil verificação, devido às restrições impostas à internet.
A ONG de monitoramento da segurança cibernética Netblocks anunciou hoje que detectou uma pequena retomada da atividade na internet no Irã, após mais de 200 horas de corte.
"As medições mostram um aumento muito leve da conectividade na manhã de hoje", informou a ONG. "A conectividade geral permanece em torno de 2% dos níveis habituais, e não há sinais de uma recuperação significativa."
Desde o restabelecimento das conexões telefônicas, iranianos no exterior recebem notícias de familiares por meio de comunicações curtas, devido ao seu custo elevado e por temerem que as mensagens sejam interceptadas ou que as autoridades os considerem espiões.