Mocidade retrata prisão e censura a Rita Lee durante a ditadura militar
17/02/2026
(Foto: Reprodução) Mocidade retrata prisão e censura a Rita Lee durante a ditadura militar
A Mocidade Independente de Padre Miguel levou para a Marquês de Sapucaí um retrato do período da ditadura militar na vida de Rita Lee, homenageada no enredo. A escola abordou a prisão da cantora, a censura às músicas e a perseguição que ela sofreu durante o regime.
As referências começaram logo na comissão de frente, quando uma jovem Rita é tirada de seu jipe e aparece encarcerada, rodeada de soldados. Desafiadora, Pâmela Philigret, bailarina que representou a cantora na encenação, puxou e acendeu um cigarrinho no meio da cela.
Bruxas, porém, intercederam e libertaram Rita. No ato seguinte, as grades da cadeia viraram um disco voador, de onde a artista surgiu com seu violão.
Rita Lee desafia carcereiros e acende um cigarro na comissão de frente da Mocidade
Reprodução/TV Globo
Carro da ditadura
O 3º carro alegórico, batizado de Xadrez 21, também trouxe o cárcere onde Rita Lee ficou presa após ser acusada de porte de maconha. Segundo a escola, a artista era vista como “uma artista imoral e obscena”, considerada uma afronta à “tradicional família brasileira”.
A alegoria foi concebida como uma grande prisão. Ao fundo, uma escultura de um policial simbolizava a repressão do período. Em volta, componentes caracterizados como presidiárias representavam as companheiras de cela da cantora, enquanto integrantes fantasiados de carcereiros faziam a escolta.
A figura da “Ovelha Negra”, personagem marcante da trajetória de Rita Lee, apareceu à frente do carro, também com um cigarrinho, em uma referência à postura da artista diante do que a escola chamou de preconceito e caretice da época. Soldados estilizados como “soldadinhos dos anos de chumbo” também integraram a composição.
Detalhe da ovelha negra no carro da ditadura da Mocidade
Reprodução/TV Globo
Ala prisioneira
A 8ª ala, chamada “Prisioneira”, também fez referência direta à prisão da artista. Os componentes desfilaram com jaulas de rodinhas e fantasiados com listras pretas e brancas, em alusão à roupa de presidiária.
Nas laterais, integrantes caracterizados como policiais faziam a escolta, representando o que a escola classificou como perseguição à cantora por sua “rebeldia e atitudes transgressoras”.
Ala das prisioneiras da Mocidade
Reprodução/TV Globo
Censura e repressão
A censura foi outro elemento central da representação. Segundo o enredo, Rita foi uma das artistas mais censuradas do período e chegou a ter músicas e até um álbum vetados.
Patrícia Parada, musa da escola, desfilou com fantasia inspirada nos agentes da censura e da repressão, remetendo ao uniforme policial da época. A proposta, segundo a agremiação, foi representar a atuação do Estado para “censurar, reprimir, calar e conter os opositores naqueles anos de chumbo”.
Patrícia Parada, musa da Mocidade, veio de censura
Reprodução/TV Globo