Mãe e madrinha de Eliza Samúdio fazem carta aberta e cobram prisão de Bruno, que está foragido: ‘Feminicida desfila impune’
17/03/2026
(Foto: Reprodução) Bruno foi condenado a mais de 22 anos de prisão pelo homicídio da modelo Eliza Samudio
Arquivo g1
A mãe de Eliza Samúdio, Sônia Fátima Moura, e a madrinha de Bruninho Samúdio, Maria do Carmo dos Santos, divulgaram carta aberta em que cobram a prisão do ex-goleiro Bruno. Ele foi condenado pelo homicídio de Eliza e é considerado foragido pela Justiça do Rio de Janeiro (leia a íntegra no final da reportagem).
No documento enviado ao g1 nesta terça-feira (17), Sônia e Maria do Carmo fazem um pedido para que a Vara de Execução Penal investigue, dentre outras coisas, viagens feitas pelo ex-goleiro nos últimos anos e que o "Ministério Público atue com rigor diante do descumprimento reiterado de exigências da Lei de Execução Penal".
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"Pedimos, ainda, que Bruno Fernandes seja responsabilizado criminalmente pela fuga e por cada violação cometida. E pedimos que o Estado brasileiro reconheça que, ao tratar um feminicida com tamanha leniência, envia uma mensagem perigosa à sociedade: a de que o crime compensa, a de que a vida de mulheres como Eliza não vale nada", ressaltam mãe e madrinha no documento.
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O g1 entrou em contato com o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.
No texto, Sônia e Maria do Carmo dizem que vivem um cenário de dor, revolta e sensação de impunidade. Elas afirmam que o sistema de Justiça tem falhado ao não garantir o cumprimento da pena do ex-jogador.
Carta fala em falhas da Justiça
As duas relatam que Bruno, condenado em 2013 a mais de 20 anos de prisão por feminicídio, sequestro, cárcere privado e ocultação de cadáver, estaria há anos descumprindo regras impostas pela Justiça.
Segundo a carta, desde 2023 ele não era localizado para cumprir exigências do livramento condicional, como manter endereço atualizado e assinar documentos obrigatórios. Ainda assim, não teria havido ação imediata das autoridades.
Elas também citam viagens feitas por Bruno para estados como Espírito Santo, Minas Gerais e Acre, mesmo com restrições judiciais.
Viagem ao Acre e revolta
Um dos pontos que mais causou indignação à família foi a ida do ex-goleiro ao Acre, em fevereiro deste ano. De acordo com a carta, ele participou de uma partida de futebol pelo time Vasco-AC sem autorização da Justiça.
Pelas regras do regime, Bruno não poderia sair do estado do Rio de Janeiro.
Para a família de Eliza, a situação é uma “afronta”, já que o caso nunca teve o corpo da vítima localizado, o que impede até hoje um enterro.
“Dor sem reparação”, dizem familiares
Na carta, mãe e madrinha afirmam que, enquanto Bruno aparece em público e recebe atenção, a família da vítima segue lidando com o luto e a falta de respostas.
Elas também criticam o fato de o ex-goleiro ter negado a paternidade do filho por anos e, segundo elas, não contribuir financeiramente com a criação do menino há cerca de quatro anos.
Pedido por justiça
No documento, as duas fazem um apelo direto às autoridades dos três poderes. Elas pedem:
investigação das viagens feitas sem autorização
atuação mais rigorosa do Ministério Público
cumprimento integral da pena
responsabilização por descumprimento das regras
Elas afirmam que não buscam vingança, mas justiça, e dizem que vão continuar denunciando o caso.
Bruno é considerado foragido
O Disque Denúncia divulgou um comunicado pedindo informações sobre o paradeiro de Bruno.
Segundo o Tribunal de Justiça, um mandado de prisão foi expedido no dia 5 de março, depois que a Vara de Execuções Penais concluiu que ele descumpriu condições da liberdade condicional.
Ainda de acordo com a Justiça, o ex-goleiro não se apresentou para retornar ao regime semiaberto.
Bruno foi condenado a mais de 22 anos de prisão pelos crimes relacionados à morte de Eliza Samúdio, caso que teve grande repercussão nacional e segue sem a localização do corpo da vítima.
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