Governo Trump diz que Irã suspendeu 800 execuções após ultimato dos EUA
15/01/2026
(Foto: Reprodução) Karoline Leavitt, porta-voz da Casa Branca
REUTERS/Evelyn Hockstein
A porta-voz do governo Donald Trump, Karoline Leavitt, afirmou que 800 execuções foram suspensas no Irã após um ultimato dos Estados Unidos em sua coletiva de imprensa nesta quinta-feira (15).
Ao ser questionada por um jornalista sobre a posição atual dos EUA em relação aos protestos no país, Leavitt disse que "o presidente e sua equipe estão monitorando a situação de perto e todas as opções estão sendo consideradas".
"O presidente Trump e sua equipe disseram ao Irã que, se as mortes continuarem, haverá graves consequências", declarou.
Irã nega execução de manifestantes
Irã nega que tenha condenado Erfan Soltani à morte
Desde o início dos protestos que vem dominando o Irã, mais de 3,4 mil pessoas já morreram, segundo dados levantados por uma ONG.
As autoridades iranianas também estariam planejando executar manifestantes capturados, de acordo com a organização. Um deles, o iraniano Erfan Soltani, de 26 anos, que seria enforcado.
No entanto, nesta quinta-feira (15), a Justiça do Irã negou a informação. Disse que ele não foi condenado à pena de morte, contrariando o que havia sido dito pela família.
De acordo com o Judiciário, Soltani, que está detido atualmente no presídio central de Karaj, responde às acusações de “conluio contra a segurança interna do país e atividades de propaganda contra o regime”, que não são punidas com pena de morte. A informação da declaração do judiciário foi divulgada pela agência de notícias Reuters, que seguiu a mídia estatal iraniana.
"Em conversas com familiares de Erfan Soltani, a Hengaw apurou que a sentença de morte de Erfan Soltani, que havia sido anunciada anteriormente à sua família e seria executada na quarta-feira, não foi cumprida e foi adiada", diz a organização.
Até então, a informação era de que a sentença de Soltani seria Moharebeh — que pode ser lida como "ódio contra Deus". O Irã é conhecido por executar centenas de pessoas por esse crime. Segundo a organização humanitária curdo-iraniana Hengaw, as autoridades locais informaram à família que a sentença era definitiva.
Uma fonte próxima à família, falando sob condição de anonimato, disse ao portal IranWire: “A família está sob extrema pressão. Até mesmo um parente próximo, que é advogado, tentou assumir o caso, mas foi impedido e ameaçado por agentes de segurança. Disseram a ele: 'Não há processo para analisar. Anunciamos que qualquer pessoa presa nos protestos será executada."
Erfan Soltani, manifestante preso no Irã
Reprodução/Instagram
Pressão de Trump
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, havia afirmado que o país americano adotaria “medidas muito duras” caso o Irã começasse a enforcar manifestantes.
Em entrevista, Trump disse não ter conhecimento da decisão de executar manifestantes, mas fez um alerta ao ser informado sobre os relatos.
“Vamos tomar medidas muito duras, se fizerem esse tipo de coisa”, afirmou.
Nesta quarta (14), o presidente afirmou ter sido informado de que a “matança” no Irã foi interrompida e que não há planos para novas execuções.
Trump disse durante um evento na Casa Branca ter recebido a informação de uma “fonte segura”. “O massacre no Irã está parando. Parou. E não há plano para execuções”, afirmou, sem dar detalhes.
Onda de protestos no Irã
Bruna Azevedo/Editoria de Arte g1
Protesto no Irã
UGC via AP