Família de servidor que morreu ao inalar poeira contaminada por hantavírus deverá ser indenizada em R$ 200 mil

  • 19/02/2026
(Foto: Reprodução)
Hantavirose é transmitida através da urina, fezes e saliva de ratos silvestres Emanuelle Pasa/Divulgação O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) confirmou que a família de um servidor público de Guimarânia, no Alto Paranaíba, tem direito a ser indenizada pela morte do trabalhador, vítima de hantavirose contraída durante o trabalho em R$ 200 mil. O valor será dividido em R$ 50 mil para a viúva e cada um dos três filhos. A decisão é da 6ª Câmara Cível e manteve a condenação determinada na primeira instância, reconhecendo que o município colocou o trabalhador em situação de risco ao permitir que ele atuasse na demolição de um imóvel abandonado sem os Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) adequados, inalando partículas contaminadas. O processo ainda tramita no TJMG e cabe recurso. O g1 procurou a Prefeitura de Guimarânia para se manifestar, mas não houve resposta até a última atualização da reportagem. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Triângulo no WhatsApp Servidor foi infectado durante demolição de casa abandonada Segundo o TJMG, o homem trabalhava como operador de máquinas contratado temporariamente pelo município. Em 2016, ele foi designado para atuar na demolição de uma casa abandonada, sob responsabilidade da prefeitura. O processo aponta que o imóvel estava tomado por roedores, os principais vetores do hantavírus. 🔎O hantavírus é transmitido principalmente por ratos. Ele pode causar doenças graves em humanos, afetando principalmente o sistema respiratório ou rins. A perícia realizada durante o processo confirmou que o ambiente apresentava condições insalubres e elevado risco biológico. Ainda conforme os autos, o laudo elaborado por um engenheiro de segurança do trabalho concluiu que o servidor não recebeu máscara adequada, óculos de proteção ou luvas, equipamentos de proteção que são indispensáveis para a atividade desempenhada. De acordo com o perito, a inalação de poeira contaminada por fezes e urina de ratos foi fator determinante para a infecção que levou o trabalhador à morte. Município negou relação entre trabalho e doença Na ação, a família relatou que o servidor tinha plena saúde antes da demolição e não apresentava sintomas compatíveis com o início da doença. Testemunhas também confirmaram que não houve treinamento de segurança nem orientações sobre riscos biológicos antes e durante o serviço, mas a prefeitura contestou. A defesa do Município de Guimarânia alegou que não havia prova de que o contágio ocorreu durante o serviço e sugeriu que o trabalhador poderia já estar doente antes da obra. Os argumentos foram rejeitados tanto pelo juiz da comarca de Patrocínio quanto pelo relator do recurso no TJMG, o desembargador Leopoldo Mameluque. Indenização e pensão mensal para a viúva e os filhos A decisão do TJMG manteve todos os valores fixados originalmente em Patrocínio e acolheu o pedido da família para aumentar a base de cálculo da pensão mensal. Os desembargadores da 6ª Câmara Cível determinaram: R$ 50 mil de danos morais para cada um dos quatro autores da ação (viúva e três filhos) R$ 2,7 mil referentes às despesas de funeral Pensão mensal equivalente a 2/3 do salário efetivamente recebido pelo servidor, e não apenas do salário mínimo Inclusão de 13º salário nas parcelas de pensão No acórdão, o relator justificou que a perícia e os depoimentos prestados em juízo foram suficientes para estabelecer a causa entre as condições de trabalho e o óbito. “Restou demonstrado que o servidor teria sido exposto ao risco de contaminação ao desempenhar suas funções na obra de demolição de um imóvel abandonado, sob a responsabilidade do Município de Guimarânia, onde havia muitos roedores, principais transmissores do hantavírus. Conforme a prova técnica realizada, as condições de trabalho eram inadequadas, ocasionando o contágio”, apontou o magistrado. Os desembargadores Sandra Fonseca e Edilson Olímpio Fernandes acompanharam o voto de Mameluque. LEIA TAMBÉM: Fome, 14 horas de trabalho e alojamento de lona: homens são resgatados em carvoaria Madalena Gordiano: família que escravizou mulher por 40 anos é condenada a 14 anos de prisão O que é a hantavirose? A hantavirose é transmitida principalmente pela inalação de partículas contaminadas por excretas - fezes, urina ou saliva - de roedores silvestres. Segundo o Ministério da Saúde, é considerada uma zoonose viral aguda causada por vírus da família Hantaviridae, gênero Orthohantavirus. No Brasil e nas Américas, a infecção humana se manifesta principalmente na forma da Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH), quadro caracterizado por comprometimento pulmonar e cardíaco de rápida progressão. Os sintomas iniciais incluem febre, dores musculares, dor de cabeça, dor abdominal e manifestações gastrointestinais, quadro semelhante ao de outras infecções virais. Em muitos casos, a doença evolui rapidamente para a fase cardiopulmonar, marcada por falta de ar, taquicardia, queda de pressão, tosse seca e risco de síndrome da angústia respiratória, podendo levar à morte. ASSISTA: Infectologista explica diferenças e semelhanças entre dengue e hantavirose Infectologista explica diferenças e semelhanças entre dengue e hantavirose VÍDEOS: veja tudo sobre o Triângulo, Alto Paranaíba e Noroeste de Minas

FONTE: https://g1.globo.com/mg/triangulo-mineiro/noticia/2026/02/19/familia-de-servidor-que-morreu-ao-inalar-poeira-contaminada-por-hantavirus-devera-ser-indenizada-em-r-200-mil.ghtml


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