Entre sonhos, habilidades e pressão: como escolher a profissão certa
03/02/2026
(Foto: Reprodução) Autoconhecimento, habilidades e menos pressão externa podem tornar a decisão mais consciente
getty images
Com o começo de um novo ano letivo, muitos alunos do ensino médio, principalmente os de pré-vestibular, voltam às escolas carregando uma dúvida que pode ser muito pesada: qual profissão escolher? A decisão muitas vezes vem carregada de ansiedade e medo, especialmente diante da pressão do vestibular, da família e das incertezas sobre o futuro.
Mesmo no início do ano, os jovens que estão prestes a finalizar o ensino médio já conseguem encontrar vantagens em se decidir sobre o futuro acadêmico, mas, para isso, é necessário levar em conta alguns fatores iniciais. Para a professora de redação do Colégio Santa Isabel, Renata Chaves, o aluno, inicialmente, deve levar em consideração com qual público deseja trabalhar.
“Algumas pessoas lidam melhor com trabalhos que envolvem relações pessoais mais próximas, outras interagem melhor com máquinas e tecnologia. As características pessoais, levadas em consideração, devem ser aquelas que promovem mais realização e satisfação”, pontua.
Renata Chaves, professora de redação do Colégio Santa Isabel
arquivo pessoal
Autoconhecimento como ponto de partida
Mais do que optar por uma profissão em alta, é fundamental que o jovem se conheça para fazer uma escolha consciente. A professora ressalta que o autoconhecimento orienta decisões mais alinhadas à realização pessoal, e não apenas às expectativas financeiras.
Renata diz também que, mesmo que o processo de se conhecer seja vivenciado, na grande maioria, de forma solitária, pode ser um caminho difícil para o jovem que lida com tantas pressões externas e internas, às vezes vindas até da própria família.
“Existem dúvidas e pressões externas e internas que, muitas vezes, dificultam esse autoconhecimento , além de modelos sociais que eles são obrigados a seguir. O adolescente vive hoje numa era marcada por questões estéticas e que envolvem bens de consumo, e essas impressões externas dificultam esse processo”, afirma a professora
Entre habilidades e sonhos
Outros fatores decisivos são as habilidades do jovem e a afinidade com certas matérias da escola. Segundo a professora, o aluno deve também articular suas habilidades com suas paixões, quando possível. “Tenho vários alunos que sonharam em ser jogadores de futebol, são habilidosos, mas não estão em grandes clubes e nem viraram grandes atletas, contudo viraram educadores físicos.”
Ela também pontua que essa junção, entre paixão e habilidade, nem sempre acontece de forma imediata e exige maturidade. “Por isso, alguns cursos universitários hoje recebem pessoas mais velhas, com empregos fixos ou aposentados, elas foram atrás da paixão”, completa.
Renata afirma que toda carreira feliz e consistente começa a partir de um sonho, ainda que ele sofra ajustes ao longo do tempo. Segundo a professora, profissionais realizados costumam ter imaginado, em algum momento, o lugar onde gostariam de chegar. Ela reforça, por fim, a importância de pesquisar a área de interesse para compreender como transformar esse objetivo em realidade.
Quando a escolha vem da pressão
Renata Chaves pontua que é um erro muito visto entre os jovens, escolher um curso por questão financeira ou porque alguém da família sonhou com essa profissão pelo aluno. Nesse contexto, a escola também exerce um papel decisivo ao ajudar o aluno a refletir sobre si mesmo e sobre as possibilidades de carreira.
Por meio de orientações, conversas em sala e até testes vocacionais, o ambiente escolar pode ampliar o repertório do estudante e evitar escolhas feitas apenas por pressão externa. Quando o jovem tem esses dois aliados ao seu lado, ele tende a fazer uma escolha mais consciente e alinhada com quem ele é e o que almeja.
“Quando pergunto aos meus alunos o que eles querem estudar, alguns respondem: ‘meus pais querem que eu seja engenheiro, vou fazer engenharia’. A escolha tem que ser pessoal, não é o mercado que faz o profissional feliz e bem remunerado, é o profissional realizado que domina o mercado”, reafirma a professora
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