Bloqueio de internet isola iranianos, e repressão a protestos deixa milhares de mortos

  • 18/01/2026
(Foto: Reprodução)
Irã corta a internet para esconder repressão que já deixou milhares de mortos A repressão no Irã à onda de protestos elevou o número de mortos para cinco mil, informou uma fonte do governo. E a ditadura dos aiatolás, no poder há 47 anos, instaurou um bloqueio de internet em todo o país, deixando iranianos que vivem no Brasil sem contato com familiares e angustiados com a falta de notícias. Não é a primeira vez que o regime iraniano bloqueia a comunicação com o próprio povo, mas nunca tinha sido por tanto tempo. O corte atual de internet já dura pelo menos dez dias. "Normalmente, isso tem sido interpretado como um alerta de massacre a caminho, ou seja, corta a conexão daquele país, daquela população com o mundo para aí entrar com uma opressão mais forte", disse Bruno Natal, jornalista especializado em tecnologia. Irã cortou internet em meio a protestos contra o regime Reprodução/TV Globo Diante do bloqueio, alguns iranianos recorreram a tecnologias alternativas que ajudam a burlar a censura para se comunicar com o mundo. Entre elas, estão os chamados proxies do Telegram, servidores intermediários que funcionam como pontes para contornar restrições de acesso à internet. Há também outros caminhos, o serviço de mensagens Delta Chat, o navegador Ceno e até terminais Starlink, que se conectam a satélites que operam em órbita baixa da Terra e permitem acesso à internet fora do controle do governo. Segundo um especialista ouvido pelo jornal britânico The Guardian, nos últimos dois anos milhares de terminais do Starlink teriam sido contrabandeados para o Irã. "No Irã, tem de 50 mil a 100 mil [terminais] Starlink. Numa cidadezinha pequena, basta que tenha um Starlink, já é o suficiente para que a cidade saiba tudo que o que está acontecendo", afirmou o professor de relações internacionais da ESPM Leonardo Trevisan "Não adiantou desligar a internet porque os protestos, as manifestações continuaram e aumentaram", completou. "Se a polícia soubesse que alguém tem esse equipamento em casa, com certeza vão invadir a casa. Vai ser acusado de espionagem para Estados Unidos, para Israel, só para ter internet", disse o intérprete Ali Entezari. Causa dos protestos Os protestos começaram no fim de dezembro de 2025 devido ao custo de vida. Lojistas e mercadores do Grande Bazar de Teerã entraram em greve, impulsionando uma ira coletiva reprimida. As manifestações evoluíram para um questionamento aberto ao regime, dentro e fora do país. Erfan Soltani, manifestante de 26 anos, quase foi enforcado pelo regime iraniano Reprodução/TV Globo A semana teve uma onda de prisões e ameaças de pena de morte a manifestantes, como o iraniano Erfan Soltani, de 26 anos, que quase foi enforcado. Até o momento, 3.308 mortes foram confirmadas, de acordo com a organização independente Human Rights Activists in Iran. Há ainda outros 4.200 casos de mortes sob investigação no país. "Nunca houve repressão desse tipo. O regime sentiu a pressão das ruas. Primeiro, reagiu com a internet e, depois, com balas", disse Trevisan. "O regime voltou às suas origens quando nós observamos os mesmos métodos de 1979, no início da Revolução Iraniana. De 1980, 81, até 82, 83, isso aconteceu. O mundo assistiu estarrecido, em 1980, 1981, guindastes colocados em pontos centrais de Teerã com pessoas enforcadas". Ditadura dos aiatolás Foi na Revolução de 1979 que o Irã passou ao controle dos aiatolás, palavra que significa "sinal de Deus". É um título religioso do islamismo xiita, mas, no Irã, a religião virou poder de Estado. O país se transformou em uma teocracia. Tem presidente, mas o cargo máximo, o Líder Supremo, só pode ser ocupado por um aiatolá. Desde 1989, quem comanda o Irã é Ali Khamenei, principal alvo dos protestos atuais. Mundo afora, mulheres iranianas, tão silenciadas dentro do Irã, foram para as ruas. "O mundo precisa ouvir nossa voz, a voz dessas mulheres. Na verdade, eu queria que as pessoas entendessem o que o povo iraniano quer", disse a ativista iraniana Mah Mooni. "O povo do Irã precisa de ajuda política internacional, com certeza, independente de qualquer país, qualquer sistema, qualquer nação, precisam de ajuda", disse a maquiadora iraniana Mahsima Nadim. Cartaz em manifestação pede liberdade no Irã Reprodução/TV Globo Nesta semana, Steve Witkoff, principal negociador do governo de Donald Trump, se reuniu com Reza Pahlavi, herdeiro do último monarca do Irã. Pahlavi vive exilado e se apresenta como possível líder se o regime cair. O pai dele, o xá Reza Pahlavi, foi derrubado em 1979. Pressão contra ataque ao Irã A semana também foi marcada por ameaças do governo americano de atacar o território iraniano. "A Arábia Saudita pressionou os Estados Unidos para que não atacassem o Irã. O motivo é o petróleo", disse Trevisan. A preocupação está com o Estreito de Ormuz, corredor que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Mar da Arábia. Por ele, passam entre 20% e 25% de todo o petróleo e gás natural consumidor no mundo. O Irã controla a margem norte e tem capacidade técnica para bloquear a navegação. Não é difícil fazer isso. E, se acontecer, o efeito é imediato: o preço do petróleo dispara e o impacto se espalha pela economia global. "Isso implicaria numa explosão revolucionária. Nem Trump está interessado nisso. Porque ele sabe perfeitamente que, se a gasolina subir na bomba e se o preço do petróleo explode, ele perde a próxima eleição", analisou Trevisan. Ao longo da semana, o presidente americano foi reduzindo o tom contra o regime iraniano. As tensões diminuíram, mas não a agonia de quem segue sem notícias da família. Ouça os podcasts do Fantástico ISSO É FANTÁSTICO O podcast Isso É Fantástico está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts, trazendo grandes reportagens, investigações e histórias fascinantes em podcast com o selo de jornalismo do Fantástico: profundidade, contexto e informação. Siga, curta ou assine o Isso É Fantástico no seu tocador de podcasts favorito. Todo domingo tem um episódio novo. PRAZER, RENATA O podcast 'Prazer, Renata' está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts. Siga, assine e curta o 'Prazer, Renata' na sua plataforma preferida.

FONTE: https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2026/01/18/bloqueio-de-internet-isola-iranianos-e-repressao-a-protestos-deixa-milhares-de-mortos.ghtml


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