Bloco feminista Vaca Profana retorna às ladeiras de Olinda após dois anos e homenageia mulheres trans
16/02/2026
(Foto: Reprodução) Bloco feminista Vaca Profana homenageia mulheres trans
Após dois anos de pausa, o bloco feminista Vaca Profana voltou a ocupar as ladeiras de Olinda, nesta segunda-feira (16). Neste ano, que celebra 11 anos de fundação da alegoria, as mulheres trans são as homenageadas, para reforçar a união de todas as mulheres.
A concentração foi no Fortim, na Cidade Alta. Neste ano, um grupo de 30 musicistas mulheres foi comandado pela maestrina Lourdinha.
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A influenciadora digital e produtora cultural Dandara Pagu, que criou o bloco, explicou que o bloco não desfilou em 2025, mas que a pausa foi necessária.
"No ano retrasado teve um incidente com as radfem [feministas radicais] que queriam impedir a presença de mulheres trans. Então, achei que a gente devia dar uma parada, repensar e voltar neste ano. Estamos homenageando as pessoas trans na nossa camiseta e dentro do cortejo, de modo geral, para entender que o bloco é plural", destacou.
Bloco feminista Vaca Profana no carnaval de Olinda
Luan Amaral/g1
Para Dandara, o retorno do bloco reforça a união feminista.
"O bloco nasce porque sofri violência policial por estar com os seios à mostra no meio do carnaval. Então, não tem motivo de eu estar lutando contra violência contra o meu povo e ser violenta com outro povo. Eu acho que é massa por isso: unir. [...] Na escola de samba, se for ali, aquele tipo de corpo, pode [expor]. O meu, enquanto uma pessoa livre, não pode?", disse.
Pela primeira vez no bloco, a professora e pesquisadora Emanuella Maria, de 40 anos, contou que há dois anos espera para acompanhar o desfile.
"O que me incentivou, primeiramente, foi a história dela [Dandara], que foi uma coisa muito forte e me tocou bastante. Me senti no lugar, sobre o direito do nosso corpo e tudo o que envolve essa questão feminina", disse.
Professora e pesquisadora Emanuella Maria no bloco Vaca Profana, em Olinda
Alice Albuquerque/g1
Emanuella contou, também, que, por se tratar de um bloco feminista, as folionas se sentem mais confortáveis e em segurança.
"Nunca vim, mas é o que todo mundo fala, que tem um cordão. E um dos motivos para essa pausa do bloco foi justamente para poder ter mais condições estruturais e ofertar mais segurança para as mulheres envolvidas que queiram participar. Não é só mostrar os seios, é uma bandeira", afirmou Emanuella.
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